Mérito Europeu na Vela Navalista

Era um objetivo do treinador  de Vela Adaptada do CNF. Pedro Correia, desde que abraçou este projeto no clube, sempre sonhou com uma presença da Madeira no Campeonato Europeu da Classe Hansa. O objetivo foi cumprido 10 anos depois com o acréscimo de uma medalha de bronze para Mónica Mendonça. “Assim que soube que o campeonato seria em Portimão, comecei logo a fazer contas. Pelo menos um atleta era o objetivo mas, felizmente, após alguns contactos e com o apoio de um conjunto de partes, conseguimos fazer a inscrição de três atletas. O facto de ser em Portugal também ajudou muito pois tudo isto tem uma grande logística e custos nomeadamente, inscrições, aluguer e transporte de barcos, licenças, alojamentos, alimentação e viagens”, conta-nos o técnico no rescaldo desta grande aventura.

Uma experiência a repetir e que deixa um “gostinho” para voltar já que foram muitas as aprendizagens ao velejar numa frota de 97 barcos. “É uma confusão” diz Mónica Mendonça que depois de ultrapassar alguns obstáculos, conseguiu cumprir as regatas previstas e fazer história para a vela adaptada na Madeira ao alcançar o pódio europeu na categoria 2.3 single feminino. Para a velejadora do Naval com 39 anos de idade, o melhor momento foi ouvir o seu nome e o hino de Portugal, momento partilhado por toda a restante equipa com orgulho em todo o trabalho desenvolvido. Sim, porque mais do que o trabalho no mar, também há muito trabalho em terra. Preparar os barcos, entrar na água, sair da água, arrumar os barcos. Para estas tarefas, António Calaça, outro velejador da equipa, foi “incansável” sendo que para o técnico Pedro Correia este foi o atleta Naval. Para além de estar sempre pronto a ajudar os amigos, dentro e fora de competição, Calaça, de 30 anos, o mais jovem da comitiva, fez 18 regatas em 5 dias. Velejou na embarcação 303 sozinho, conquistando o 24º lugar e, nas duplas com António Nóbrega marcou a 29ª posição da tabela. O terceiro membro da equipa, de 32 anos, não esconde o gosto que tem pela modalidade e a vontade de ser melhor. Independentemente dos resultados, chegar ao fim das regatas, ultrapassando ventos de 20 nós, nevoeiro e frio é “meritório”.

O Campeonato Europeu da classe Hansa foi organizado pela Teia D´ Impulsos, uma associação sem fins lucrativos cujo principal objetivo é o desenvolvimento de projetos de cariz social, cultural e desportivo alicerçados na igualdade de direitos e oportunidades entre todos os cidadãos em parceria com o projeto Vela Solidária, Clube Marina de Portimão e com o apoio da Federação Portuguesa de Vela. O próximo campeonato decorre em 2021 e o objetivo do Naval é participar novamente, com uma comitiva maior e, se possível, com mais e melhores equipamentos e acessórios, como coletes, óculos de sol e relógios próprios para a modalidade, entre outras necessidades que precisam ser satisfeitas para um melhor rendimento e conforto nas longas horas no mar que passam revelou-nos o treinador navalista.

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