Entrevista a Rick Powers

Rick Powers

Nasceu em Nova Iorque. Foi atleta durante 10 anos. Quando acabou a faculdade entrou num programa americano que na época tinha desporto como um dos ramos a seguir. Foi para o Equador como técnico de natação e adorou a experiência, tendo começado o seu percurso profissional como técnico. Já trabalhou em 10 países diferentes, em todos os continentes durante cerca de 25 anos. Através destas experiências começou a ministrar cursos. Este ano ministrou um curso em Luanda e na Bolívia. Após a sua estadia cá na Ilha da Madeira irá partir para a Jamaica, Caribe, Brasil e talvez Equador e Ásia, para ministrar novos cursos.

Foi junto das piscinas do Complexo Desportivo da Nazaré que entrevistamos o conceituado treinador de natação Americano Rick Powers.

CNF: É a primeira vez que vem à Ilha da Madeira?
Rick P: À lha da Madeira sim, é a minha primeira vez.

CNF: Como surgiu esta oportunidade de dar formação aos nadadores do CNF?
Rick P: Eu comprei uma passagem para Lisboa à cerca de dois meses atrás e como já conhecia Portugal, pensei em ir aos Açores, mas depois mudei de ideias e fui para Canárias uma semana. Na semana seguinte decidi vir cá à Ilha da Madeira em férias. Como costumo dar formações, tive conhecimento do Clube Naval do Funchal e propus realizar uma formação a atletas e aos técnicos e foi assim que tudo se processou.

CNF: É a primeira vez que dá formação na região?
Rick P: Sim. No entanto já ministrei cursos em Lisboa mas há alguns anos atrás.

CNF: É habitual efetuar palestras/formações em outros clubes?
Rick P: Normalmente costumo dar formação entre 8 a 10 vez no ano.

CNF: No que irá basear-se as suas palestras?
Rick P: Junto dos atletas irei focar-me mais nas técnicas, tendo em conta a sequência de aprendizagem dos 4 estilos (Crawl, Costas, Mariposa e Bruços) e também as viragens. Junto dos técnicos, irei falar um pouco de como motivar o nadador, nas técnicas e preparação de equipas, como os preparar não só fisicamente mas também mentalmente durante a época de competição e que tipos de treinamento devem efetuar, diferenciando os nadadores mais novos dos mais velhos. Quanto à preparação mental do nadador tem duas abordagens, sendo que primeiro é ensinar exercícios de relaxamento. Segundo, é incidir na visualização. Ensinar o atleta a ter uma melhor visão da temporada, melhorando as técnicas que cada um pratica. A ideia é que se o atleta conseguir efetuar o relaxamento e a visualização, acaba por obter melhores resultados, e o ajuda a atingir os seus objetivos e isto é importante, porque se o atleta fizer este exercício todos os dias, o corpo habitua-se sendo que nos dias de competição a ansiedade e o stress reduz substancialmente.

CNF: Os treinos que irá realizar são para os nadadores mais jovens. Acredita que ter uma boa base de formação é importante?
Rick P: O mais importante é a parte técnica, e muitas vezes por pressão dos pais e dos treinadores, eles começam a treinar mais do que o que devem, antes de aprenderem uma boa técnica, e depois para corrigir o estilo ou os maus hábitos é muito difícil. Neste sentido, sim, acredito que é muito importante terem uma boa base de formação, tentando diminuir a pressão dos pais e deixá-los aproveitar e aprenderem as bases primeiro. Isto, para que tenham gosto pela modalidade que praticam e para que com a idade possam evoluir.

CNF: Atualmente o que faz profissionalmente?
Rick P: Eu já me aposentei, sendo que apenas ministro cursos, e dedico-me a viajar muito.

CNF: Qual é a mensagem que deseja passar com a sua vinda ao CNF?
Rick P: Tendo em conta que estão um pouco afastados da “realidade”, no sentido de que estão mais isolados, a nível por exemplo da natação europeia, podem ter os melhores nadadores da ilha, isso não é suficiente. A minha vinda cá vem ao encontro de demonstrar aos técnicos que há detalhes que são muito importantes e que talvez até agora não tenham tido a perceção do quanto é importante para a evolução do nadador. Porque cada detalhe vale um décimo, quatro décimos e se vai acumulando cada erro de detalhe de técnica. Depois quando se apercebem, já há um acumular de 4 segundos, o que pode vir a comprometer os objetivos de cada nadador. Resumidamente é esta a mensagem que quero passar, que há sempre algo a corrigir e que há detalhes técnicos que fazem toda a diferença quando são mais trabalhados.

CNF: Umas palavras para o CNF?
Rick P: Muito sinceramente considero que a nível de instalações estão muito bem. Têm um complexo desportivo com duas piscinas e é no fundo tudo o que precisam para desenvolver um bom trabalho. Estou a gostar muito de estar a trabalhar com os técnicos e nadadores do clube, sendo que sinto que fui muito bem recebido, não só pelos treinadores, como também com os nadadores, que logo que chego às instalações vêm ter comigo e me cumprimentar. Isto é algo muito gratificante para mim, porque apesar de os ajudar sinto que sou muito acarinhado. Estou muito agradecido por me terem recebido cá e gostaria de cá voltar certamente.

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