No âmbito das comemorações do seu 60.º aniversário, o Clube Naval do Funchal levou a efeito, sábado passado (21 de Abril), com o apoio do Grupo PPE, mais um dos “Encontros no Naval”. Sob o tema “Política Europeia para o Mar”, cerca de 20 pessoas tiveram o privilégio de ouvir uma intervenção do açoriano Duarte Freitas, Eurodeputado na legislatura 2004-2009 e membro efectivo da Comissão das Pescas, que precedeu um debate moderado pelo Eurodeputado madeirense Nuno Teixeira.

Logo na primeira frase, Freitas deu o tom que manteve durante todo o Encontro.
«Em Portugal o mar é muito passado e muito futuro, mas pouco presente. Isto acentuou-se quando nos juntámos à União Europeia», argumentou, referindo-se aos feitos históricos marítimos e àquilo que entende ser um constante adiamento de uma aposta que devia ser actual.
«O Atlântico já foi o centro do Mundo, mas está em risco de perder essa característica geopolítica em detrimento do Pacífico e do Índico e seria bom que a Europa valorizasse este oceano.»
Duarte Freitas sublinhou que a Agenda Marítima da União Europeia apresenta um conjunto de programas, como o Livro Verde, a Politica Marítima Integrada, etc., mas defendeu um olhar diferente para o mar, numa perspectiva energética, virada para a tecnologia azul e a absorção de CO2, no qual Portugal deveria ter um papel preponderante.
«Temos de proteger e rentabilizar a nossa riqueza, trazer o mar para o presente, especialmente numa altura como esta que atravessamos.»
Coesão essencial
Nuno Teixeira usou da palavra para, em traços gerais, explicar o funcionamento da União Europeia.
«Tudo o que gira é em termos orçamentais», enfatizou o Eurodeputado, revelando:
«O orçamento para 2014-2020 é de 1.025 mil milhões de euros e, pela primeira vez na história da União, a maior fatia deixa de ser para a política agrícola comum e passa a ser para a política de coesão.»
Neste contexto, Teixeira apontou algumas questões que não compreende na distribuição dos apoios.
«Como é que a proposta da UE prevê um corte de 3% para os países mais ricos e de 47% para os mais pobres e os que lutam com adversidades várias, como as regiões ultra-periféricas», questionou, classificando também de
«incompreensível que a UE tenha ignorado o projecto das auto-estradas do mar, reservando 50 milhões de euros para projectos de ligação europeia e nada para as ligações marítimas».
Em conclusão, Nuno Teixeira considerou que, para além de «economia verde, devia-se falar mais da economia azul», mas alertou para o facto de
«Portugal ter-se desleixado no que toca ao mar» e da necessidade de «ser mais pró-activo e liderante», ideia que Duarte Freitas complementou:
«Para haver desenvolvimento tem de haver coesão.»